Burnout no Brasil: quais profissões e setores apresentam maior risco de esgotamento emocional em 2026?
AORA TERAPIA
Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 546 mil afastamentos relacionados a transtornos mentais, segundo dados da Previdência Social compilados pela plataforma de RH Gupy.
O número ajuda a ilustrar uma realidade que muitos trabalhadores já sentem no cotidiano: jornadas prolongadas, pressão por resultados, insegurança econômica e dificuldade crescente de desconexão emocional.
Mas afinal: quais setores da economia brasileira apresentam hoje os maiores índices de esgotamento emocional? Um estudo recente da Gupy ajuda a responder essa pergunta.
O ranking dos setores com maior risco de burnout no Brasil
Em seu relatório "NR-1: do compliance à alta performance", publicado em 2026, a Gupy analisou dados coletados entre maio de 2025 e fevereiro de 2026 a partir de pesquisas de clima e engajamento realizadas dentro de empresas clientes da plataforma.
O levantamento considerou profissionais que atribuíram notas críticas (abaixo de 5 em uma escala de 0 a 10) para indicadores relacionados ao esgotamento emocional. O ranking traz o percentual de profissionais que se autodeclaram em faixa crítica:
10,79% Varejo e Atacado.
9,87% Educação
9,67% Marketing, Publicidade e Comunicação
9,55% Hotelaria e Restaurantes
9,14% Setor Público e ONGs
8,38% Arte e Lazer
7,15% Serviços de Saúde
6,04% Consultoria
5,40% Indústria
4,95% Tecnologia e Software
4,86% Transporte e Logística
4,70% Agronegócio
4,58% Serviços
4,42% Governo e Órgãos Públicos
3,82% Construção Civil
3,70% Utilidade Pública
3,20% Financeiro
É importante destacar que os dados representam a base de empresas clientes da Gupy — predominantemente médias e grandes organizações que utilizam ferramentas estruturadas de gestão de pessoas — e não um censo completo da população economicamente ativa brasileira. Ainda assim, o estudo oferece uma fotografia relevante do ambiente corporativo atual.
Por que alguns setores adoecem mais?
O burnout não acontece apenas porque alguém trabalha muito. Ele costuma surgir quando existe uma combinação prolongada de fatores como:
* excesso de responsabilidade;
* baixa percepção de controle;
* cobrança constante;
* dificuldade de reconhecimento;
* pressão por performance;
* conflitos interpessoais;
* ausência de recuperação emocional adequada.
Cada setor possui seus próprios fatores de risco.
Varejo e atacado: pressão permanente. O primeiro lugar do ranking pode surpreender algumas pessoas. Mas profissionais do varejo convivem frequentemente com uma combinação de fatores que cria um ambiente propício ao desgaste crônico:
* metas agressivas;
* atendimento constante ao público;
* jornadas extensas;
* trabalho em finais de semana;
* pressão simultânea por vendas e experiência do cliente.
Educação: cuidar enquanto se esgota
Professores, coordenadores e profissionais da educação enfrentam desafios que vão muito além da sala de aula. Muitos educadores acabam assumindo, além da função pedagógica, papéis de acolhimento emocional e gestão de conflitos. Entre eles:
* sobrecarga administrativa;
* responsabilidade emocional elevada;
* necessidade permanente de adaptação;
* pressão social e institucional.
Marketing, publicidade e comunicação: a profissão da urgência
O terceiro lugar chama atenção porque representa justamente uma das áreas mais associadas à criatividade e inovação. A cultura da disponibilidade permanente pode transformar a criatividade em exaustão, já que os profissionais de marketing e comunicação frequentemente convivem com:
* prazos curtos;
* múltiplos projetos simultâneos;
* alta exposição a métricas;
* pressão por resultados imediatos;
* mudanças constantes de prioridade;
* dificuldade de desconexão digital.
O burnout não é falta de resiliência
Existe um equívoco comum quando se fala sobre esgotamento profissional. Burnout não significa fraqueza, incompetência ou falta de capacidade emocional para lidar com o trabalho.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o burnout como uma síndrome associada ao estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi adequadamente administrado.
Os sintomas podem incluir:
* exaustão física e emocional;
* perda de motivação;
* sensação de incapacidade;
* irritabilidade;
* dificuldade de concentração;
* alterações do sono;
* distanciamento emocional do trabalho.
Muitas pessoas continuam trabalhando durante meses — ou anos — enquanto apresentam sinais importantes de adoecimento.
O que mudou no Brasil em relação à saúde mental no trabalho?
Nos últimos anos, a saúde mental deixou de ser uma discussão periférica nas organizações. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforçou a necessidade de identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, ampliando a responsabilidade das empresas sobre fatores que podem impactar o bem-estar emocional dos trabalhadores.
Isso representa uma mudança importante: a saúde mental deixa de ser apenas uma questão individual e passa a ser reconhecida também como responsabilidade organizacional.
Quando procurar ajuda?
Nem toda fase difícil representa burnout, bem como buscar ajuda não significa esperar chegar ao limite. Mas alguns sinais merecem atenção:
* sensação constante de esgotamento;
* dificuldade de desligar do trabalho;
* perda de interesse em atividades antes prazerosas;
* alterações persistentes de humor;
* sensação de incapacidade ou fracasso;
* sintomas físicos relacionados ao estresse.
Na verdade, quanto mais cedo o cuidado começa, maiores tendem a ser as possibilidades de recuperação e prevenção.
Saúde mental também é carreira
Passamos grande parte da vida trabalhando. Por isso, cuidar da saúde mental não é apenas cuidar do desempenho profissional. É cuidar da própria vida.
Na Aora, acreditamos que a terapia não deve ser vista apenas como resposta a crises, mas também como uma ferramenta de autoconhecimento, prevenção e desenvolvimento emocional ao longo da trajetória profissional.
Porque trabalhar importa. Mas continuar bem enquanto trabalhamos importa ainda mais.
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Aviso ético
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento realizado por profissionais habilitados. Em caso de sofrimento emocional persistente, procure atendimento especializado.