Burnout no Brasil: quais profissões e setores apresentam maior risco de esgotamento emocional em 2026?

    Publicado em 28 de junho de 2026por
    AORA TERAPIAAORA TERAPIA
    Burnout no Brasil: quais profissões e setores apresentam maior risco de esgotamento emocional em 2026?

    Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 546 mil afastamentos relacionados a transtornos mentais, segundo dados da Previdência Social compilados pela plataforma de RH Gupy.

    O número ajuda a ilustrar uma realidade que muitos trabalhadores já sentem no cotidiano: jornadas prolongadas, pressão por resultados, insegurança econômica e dificuldade crescente de desconexão emocional.

    Mas afinal: quais setores da economia brasileira apresentam hoje os maiores índices de esgotamento emocional? Um estudo recente da Gupy ajuda a responder essa pergunta.

    O ranking dos setores com maior risco de burnout no Brasil

    Em seu relatório "NR-1: do compliance à alta performance", publicado em 2026, a Gupy analisou dados coletados entre maio de 2025 e fevereiro de 2026 a partir de pesquisas de clima e engajamento realizadas dentro de empresas clientes da plataforma.

    O levantamento considerou profissionais que atribuíram notas críticas (abaixo de 5 em uma escala de 0 a 10) para indicadores relacionados ao esgotamento emocional. O ranking traz o percentual de profissionais que se autodeclaram em faixa crítica:

    10,79% Varejo e Atacado.
    9,87% Educação
    9,67% Marketing, Publicidade e Comunicação
    9,55% Hotelaria e Restaurantes
    9,14% Setor Público e ONGs
    8,38% Arte e Lazer
    7,15% Serviços de Saúde
    6,04% Consultoria
    5,40% Indústria
    4,95% Tecnologia e Software
    4,86% Transporte e Logística
    4,70% Agronegócio
    4,58% Serviços
    4,42% Governo e Órgãos Públicos
    3,82% Construção Civil
    3,70% Utilidade Pública
    3,20% Financeiro

    É importante destacar que os dados representam a base de empresas clientes da Gupy — predominantemente médias e grandes organizações que utilizam ferramentas estruturadas de gestão de pessoas — e não um censo completo da população economicamente ativa brasileira. Ainda assim, o estudo oferece uma fotografia relevante do ambiente corporativo atual.

    Por que alguns setores adoecem mais?

    O burnout não acontece apenas porque alguém trabalha muito. Ele costuma surgir quando existe uma combinação prolongada de fatores como:

    * excesso de responsabilidade;
    * baixa percepção de controle;
    * cobrança constante;
    * dificuldade de reconhecimento;
    * pressão por performance;
    * conflitos interpessoais;
    * ausência de recuperação emocional adequada.

    Cada setor possui seus próprios fatores de risco.

    Varejo e atacado: pressão permanente. O primeiro lugar do ranking pode surpreender algumas pessoas. Mas profissionais do varejo convivem frequentemente com uma combinação de fatores que cria um ambiente propício ao desgaste crônico:

    * metas agressivas;
    * atendimento constante ao público;
    * jornadas extensas;
    * trabalho em finais de semana;
    * pressão simultânea por vendas e experiência do cliente.

    Educação: cuidar enquanto se esgota

    Professores, coordenadores e profissionais da educação enfrentam desafios que vão muito além da sala de aula. Muitos educadores acabam assumindo, além da função pedagógica, papéis de acolhimento emocional e gestão de conflitos. Entre eles:

    * sobrecarga administrativa;
    * responsabilidade emocional elevada;
    * necessidade permanente de adaptação;
    * pressão social e institucional.

    Marketing, publicidade e comunicação: a profissão da urgência

    O terceiro lugar chama atenção porque representa justamente uma das áreas mais associadas à criatividade e inovação. A cultura da disponibilidade permanente pode transformar a criatividade em exaustão, já que os profissionais de marketing e comunicação frequentemente convivem com:

    * prazos curtos;
    * múltiplos projetos simultâneos;
    * alta exposição a métricas;
    * pressão por resultados imediatos;
    * mudanças constantes de prioridade;
    * dificuldade de desconexão digital.

    O burnout não é falta de resiliência

    Existe um equívoco comum quando se fala sobre esgotamento profissional. Burnout não significa fraqueza, incompetência ou falta de capacidade emocional para lidar com o trabalho.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o burnout como uma síndrome associada ao estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi adequadamente administrado.

    Os sintomas podem incluir:

    * exaustão física e emocional;
    * perda de motivação;
    * sensação de incapacidade;
    * irritabilidade;
    * dificuldade de concentração;
    * alterações do sono;
    * distanciamento emocional do trabalho.

    Muitas pessoas continuam trabalhando durante meses — ou anos — enquanto apresentam sinais importantes de adoecimento.

    O que mudou no Brasil em relação à saúde mental no trabalho?

    Nos últimos anos, a saúde mental deixou de ser uma discussão periférica nas organizações. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforçou a necessidade de identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, ampliando a responsabilidade das empresas sobre fatores que podem impactar o bem-estar emocional dos trabalhadores.

    Isso representa uma mudança importante: a saúde mental deixa de ser apenas uma questão individual e passa a ser reconhecida também como responsabilidade organizacional.

    Quando procurar ajuda?

    Nem toda fase difícil representa burnout, bem como buscar ajuda não significa esperar chegar ao limite. Mas alguns sinais merecem atenção:

    * sensação constante de esgotamento;
    * dificuldade de desligar do trabalho;
    * perda de interesse em atividades antes prazerosas;
    * alterações persistentes de humor;
    * sensação de incapacidade ou fracasso;
    * sintomas físicos relacionados ao estresse.

    Na verdade, quanto mais cedo o cuidado começa, maiores tendem a ser as possibilidades de recuperação e prevenção.

    Saúde mental também é carreira

    Passamos grande parte da vida trabalhando. Por isso, cuidar da saúde mental não é apenas cuidar do desempenho profissional. É cuidar da própria vida.

    Na Aora, acreditamos que a terapia não deve ser vista apenas como resposta a crises, mas também como uma ferramenta de autoconhecimento, prevenção e desenvolvimento emocional ao longo da trajetória profissional.

    Porque trabalhar importa. Mas continuar bem enquanto trabalhamos importa ainda mais.

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    Aviso ético

    Este conteúdo possui finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento realizado por profissionais habilitados. Em caso de sofrimento emocional persistente, procure atendimento especializado.